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ANSIEDADE PÓS-QUARENTENA

POR RITA TELES, MV.

Por todo o país se têm sentido profundas alterações nas rotinas diárias das famílias portuguesas. Quer seja voluntária ou obrigatória, a maioria das famílias encontra-se em quarentena, ficando em casa o maior número de horas possíveis. Se esta rotina mexe connosco, será expectável que também os nossos membros da família mais peludos sintam a mudança.

Agora estamos permanentemente com os nossos pets. No caso dos cães, aproveitamos para fazer um passeio extra como desculpa para esticar um pouco as pernas. Interagimos e brincamos mais frequentemente com eles e, entre as pausas do teletrabalho, aposto que aproveitamos para fazer uma sesta na sua companhia. Mas, e quando tudo acabar? Quando voltarmos ao trabalho e eles ficarem novamente oito horas sozinhos? E quando os passeios voltarem a ser de fugida e a brincadeira curta?

 

Os problemas relacionados com a separação, entre eles o hiperapego, são problemas comportamentais que podem ocorrer quando os animais ficam sozinhos ou, em casos mais raros, privados especificamente do tutor. Os animais ficam ansiosos ainda antes da partida dos donos e entram em stresse quando ficam sozinhos. A manifestação deste stresse varia com a sua intensidade. Alguns cães vocalizam durante umas horas, desarrumam a casa ou roem algum objeto, outros destroem a casa e, principalmente, os locais de saída, uivam horas seguidas, urinam e defecam em casa.

Embora os fatores que predispõe estes problemas sejam variados, um dos fatores que pode despoletar este tipo de comportamentos de ansiedade é a mudança brusca de rotina. Apesar de não podermos fazer nada em relação à mudança que já ocorreu, podemos tentar minimizar a mudança que se segue. Deve por isso preparar o seu pet para a nova rotina de trabalho antes de começar novamente a trabalhar. Aqui ficam algumas sugestões:

1. Tente manter as rotinas de passeio, alimentação e horário de descanso, quer diurno quer noturno, que o seu animal vai ter. A previsibilidade ajudar a minimizar a ansiedade, ou seja se o seu pet souber como vai correr o dia ficará menos ansioso. 

 

2. Promova o desapego e encoraje o seu animal a ser mais independente. Isto significa tentar que ele não queira estar sempre junto a si. Poderá fazê-lo colocando um local de descanso alternativo e muito confortável, noutra divisão da casa da que se encontra, dando a oportunidade para ele escolher ficar afastado de si durante umas horas. Poderá ainda ajudar colocando uma recompensa (p.e osso mastigável) na nova cama de forma a entretê-lo.

 

3. Não recompense comportamentos indesejados. Quando chega a casa não promova saudações excessivas, ignorando comportamentos de salto e vocalização. Interaja com ele apenas quando estiver calmo. Também na hora da saída, não faça despedidas. Aja com naturalidade quer tenha passado 5 minutos ou 5 horas fora.

 

4. Crie enriquecimento ambiental. Mantenha o seu pet entretido com jogos interativos, como dispensadores de comida. Brincar sem a ajuda do tutor, ajuda a que fique mais independente.

 

5. Faça a rotatividade dos brinquedos. Não deixe os brinquedos todos disponíveis ao mesmo tempo. Variar ajuda a manter o interesse nos brinquedos. Poderá utilizar o brinquedo que o seu pet gosta mais apenas disponível quando se ausenta.

Não castigue. Ralhar, empurrar ou isolá-lo contra vontade não é eficaz como método de treino ou educação. Vai apenas contribuir para aumentar a ansiedade e frustração do seu animal e ainda destrói o vínculo humano-animal.

Se tiver dificuldades em aplicar alguma das sugestões, não desespere, peça ajuda a um profissional. No nosso hospital teremos todo o gosto em ajuda-lo de forma a criar uma relação saudável e feliz com o seu pet

Boa quarentena!

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